Em seu livro Buried in Style (Enterrado com Estilo), a antropóloga e fotógrafa suíça Regula Tschumi documenta as tradições funerárias de Gana, explorando como objetos rituais, caixões figurativos e práticas comemorativas traduzem o luto em forma, cor e memória coletiva. Por mais de vinte anos, Tschumi tem retornado ao sul de Gana, acompanhando a cultura funerária Ga-Adangme como um sistema vivo de imagens, símbolos e regras sociais.

O que inicialmente parecia um fenômeno visual impressionante se desdobrou lentamente, quase a contragosto, em uma linguagem cultural muito mais ampla. “Foi passo a passo“, revela a profissional. “Quando comecei, ainda havia a ideia de que esses caixões eram ‘inventados’, e eu não questionei. Eu acreditei.” Somente com o tempo, a proximidade e a confiança essa narrativa começou a se desfazer.

Na publicação, Tschumi reflete sobre o trabalho de campo de longo prazo, a representação ética e como os rituais de morte funcionam como continuidades sociais e visuais. Os primeiros encontros com fabricantes de caixões como Paa Joe e, mais tarde, Ataa Oko, mudaram decisivamente sua compreensão. Ataa Oko já era muito velho para construir caixões, mas mostrou desenhos e fotografias de trabalhos feitos décadas antes, desfazendo silenciosamente a ideia de autoria singular.

“Foi aí que comecei a duvidar das histórias que tinha ouvido“, conta Tschumi. “Lentamente, principalmente através de Ataa Oko, através de seus desenhos, comecei a me conectar com essa sociedade, a religião, o uso dos caixões e sua história.” Os caixões se revelaram como expressões imersas em sistemas de crenças, linhagem e hierarquia social. Conheça aqui mais sobre o tema.

