Os vitrais tradicionalmente iluminam os salões solenes de espaços sagrados. Na zona leste de Los Angeles, o artista Ben Tuna enxerga esse meio sob uma nova perspectiva. Ele transita entre a linguagem das janelas antigas e as carrocerias desgastadas de automóveis, levando os vitrais a lugares onde eles normalmente não apareceriam.

No Glass Visions Studio — empresa familiar de vitrais fundada por seu pai, Mark Tuna, em 1979 —, o artista desenvolveu um trabalho que equilibra o ofício arquitetônico e visual e as carcaças de carros. Carrocerias de Porsche, vitrais recuperados de igrejas, ágatas do deserto e portas de automóveis desmembradas passam a integrar um mesmo universo.

O profissional assumiu o estúdio da família em 2021, após anos aprendendo o ofício em projetos de restauração, encomendas de vitrais residenciais e lidando com as exigências físicas do trabalho com vidro. Suas obras recentes, assinadas como “Glass Cowboy“, levam esse legado a territórios mais experimentais. Um Porsche 911 Carrera enferrujado transforma-se em “Resurrection” (Ressurreição), uma carroceria oca equipada com vitrais que remetem a catedrais.

Porsches clássicos queimados, resgatados dos incêndios de Los Angeles, se tornam belos memoriais. Uma obra mais recente, “Unearthed” (2026), substitui os vitrais por lâminas finas de ágata coletadas nos desertos do Sudoeste americano, conferindo à carroceria um brilho mineral em vez de um caráter eclesiástico. Vale a pena conhecer aqui mais sobre o projeto.

