O trabalho do artista Rob Strati começa quando uma peça de louça se estilhaça. Fragmentos de porcelana decorada servem de ponto de partida para seus desenhos, que parecem florescer a partir dos cacos. Um prato, por exemplo, que apresenta uma cena bucólica da vida no campo, tem sua imagem expandida para “revelar” mais elementos da paisagem.

Nos espaços vazios deixados pela quebra, e para além do formato circular original da peça, se desenrola toda uma cena feita a tinta: patos flutuam em um riacho enquanto um cervo observa a cena. Os desenhos de Strati são tão dinâmicos quanto a força que quebrou o prato, apresentando traços livres e gestuais que contrastam com a solidez e o peso visual do objeto real.

Essa série de obras, ainda em desenvolvimento, chamada “Fragmented” (Fragmentado) surgiu por acaso. A esposa de Strati quebrou acidentalmente um prato que pertencia à falecida mãe dela; em vez de descartar os pedaços, o artista os guardou e percebeu que eles poderiam contar uma nova história. A série, que remete à arte japonesa do “kintsugi“, demonstra que uma quebra não precisa significar o fim.

Pelo contrário, é apenas mais um capítulo da narrativa — algo novo e, ao mesmo tempo, familiar, que honra o passado e celebra o futuro, incluindo as marcas das rupturas. Nas palavras do artista: “Quando o projeto começou, honestamente, eu não via muita conexão entre meus trabalhos anteriores e o que eu estava fazendo com a porcelana quebrada.

No entanto, alguns amigos visitaram o ateliê e perceberam isso imediatamente. Assim que eles apontaram a relação, ela se tornou óbvia. O trabalho anterior já lidava com o que acontece quando algo é mapeado de novas maneiras e com estruturas que se expandem para além de seu centro original. E as porcelanas clássicas reforçaram o conceito.” Conheça aqui mai do trabalho de Strati.