O trabalho da diretora de arte e ilustradora francesa Anaïs Odoux é inteiramente analógico. A artista cria colagens à mão utilizando apenas duas ferramentas: lápis de cor e papel. Ao ver as obras de Anaïs pela primeira vez, é difícil acreditar que todas começam como pequenos fragmentos de papel grosso e texturizado, nos quais ela esculpe delicadamente gradientes de cor antes que cada peça desse “quebra-cabeça” encontre sua composição perfeita.

Esse processo fluido, porém trabalhoso, é, acima de tudo, uma celebração delicada da cor e da forma. Os temas favoritos da artista para essa técnica incluem cenas gastronômicas — como “club sandwiches” ou croissants —, belos acessórios de moda e outras composições de natureza-morta. “Meus temas são figurativos, mas sempre contêm um elemento de abstração devido ao meu processo“, revela a ilustradora.

Crio gradientes específicos em cada pedaço de papel para brincar com luz e sombra nos meus desenhos.” Essa compreensão de cor e tom é o que confere profundidade às obras, mas não são os detalhes ou o realismo que Anaïs busca primordialmente; “caso contrário, eu perderia o aspecto abstrato que tanto amo“, afirma. Não surpreende saber que Anaïs é uma admiradora de longa data da obra de Henri Matisse.

No entanto, a artista descobriu recentemente o trabalho da pintora americana Shirley Jaffe e encontrou grande inspiração em seus trabalhos e sua interpretação da abstração: “ela era menos conhecida pelo grande público, mas realizou obras maravilhosas“, diz Anaïs. “Adoro o trabalho dela. Sou uma grande fã de arte abstrata e de arte moderna em geral.

Até o momento, Anaïs criava suas colagens abstratas apenas como imagens estáticas, mas tem se aventurado no desenvolvimento da linguagem “stop motion” — transformando maçãs até chegar ao seu núcleo e construindo bolsas através de uma espécie de “Tetris” de colagem. Legal conhecer aqui mais trabalhos em diversas áreas da artista.