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Destaques da semana. ABEER SEIKALY E O CONHECIMENTO ANCESTRAL NA JORDÂNIA

As tradições do deserto sendo transformadas em abrigos para seu povo. Em muitas partes do mundo, a arquitetura parte de condições já fragilizadas. A realidade é implacável. O deslocamento de pessoas se estende por anos. O clima remodela a paisagem e os movimentos. Os sistemas que sustentam a vida permanecem desiguais ou inexistentes.

Nesse contexto, a utopia deixa de ser uma mera projeção distante e passa a se concentrar em como os espaços são criados, compartilhados e mantidos ao longo do tempo. A designer jordaniana-palestina Abeer Seikaly parte dessa perspectiva. Sua prática se concentra em têxteis tradicionais e sistemas de materiais que respondem à instabilidade, ao mesmo tempo que se inspiram em conhecimentos ancestrais inerentes ao artesanato.

Em vez de isolar o design de seu contexto, ela constrói através dele, tratando a arquitetura como um processo que evolui com as pessoas e seu uso, incorporando e utilizando o trabalho das comunidades. Em seus projetos, a profissional retorna à tenda beduína, ou Beit Al Sha’ar, como fonte de conhecimento estrutural e cultural.

A tenda carrega uma história moldada pela produção coletiva, onde tradicionalmente as mulheres lideram sua construção por meio da tecelagem. Esse conhecimento muitas vezes foi excluído do discurso formal do design, apesar de sua sofisticação técnica e espacial. A designer traz essa linhagem adiante por meio de projetos que traduzem a tecelagem em sistemas estruturais.

A ênfase permanece em como os materiais são manuseados, como as conexões são formadas e como o conhecimento é compartilhado. A arquitetura aqui se desenvolve por meio da interação entre a designer e a comunidade, com a produção entendida como uma forma de continuidade. Vale muito a pena conferir aquitodo esse trabalho de anos.