À primeira vista, a instalação de Lilla Tabasso na exposição inaugural da Fondazione Dries Van Noten, em Veneza, parece um jardim vivo. Flores silvestres emergem de tufos de terra, caules se curvam sob o próprio peso e raízes emaranhadas se espalham pelo solo como se tivessem sido recém-desenterradas.

Somente após um olhar mais atento a ilusão se desfaz e os visitantes percebem que nada está vivo. Cada pétala, folha, caule e raiz foi meticulosamente esculpido em vidro de Murano. As obras da artista milanesa estão em exibição como parte da mostra “The Only True Protest Is Beauty” (O Único Protesto Verdadeiro é a Beleza), a exposição inaugural da fundação no Palazzo Pisani Moretta.

Entre mais de 200 obras que celebram o artesanato e a expressão artística, as frágeis paisagens botânicas de Tabasso se destacam por seu realismo impressionante. Para a escultora, a beleza não reside na perfeição. Sua atenção se volta para as flores no final de seu ciclo de vida: uma tulipa se curvando em direção ao chão, uma pétala marcada pelo tempo, uma folha começando a secar e se fechar sobre si mesma.

Essas pequenas transformações se tornam o tema de suas intrincadas esculturas de vidro, convidando os espectadores a contemplar momentos que geralmente passam despercebidos. Trabalhando com a técnica secular de Murano, a arte de trabalhar com vidro soprado, a artista italiana usa o vidro para imortalizar o que é inerentemente temporário, criando uma tensão entre permanência e decadência, força e vulnerabilidade. Conheça aqui mais de seu trabalho.