A pintura Madeline Rupard encontra o sublime nas paisagens banais de uma parte do modo de vida da América. De postos de gasolina iluminados e refrigerantes a vastas cadeias de montanhas, a artista radicada em Utah captura a magia peculiar do cotidiano no Oeste americano através da janela de seu Subaru antigo. Ao pensar nos Estados Unidos, podemos imaginar o famoso e vasto Velho Oeste.

Suas paisagens montanhosas e metrópoles icônicas e extensas em direção à linha do horizonte. Mas também podemos pensar em estacionamentos, motéis, fast-food, luminosos, produtos comerciais, bandeiras americanas e um cenário político complexo. Em outras palavras, entre planaltos e pinheiros, os Estados Unidos também possuem uma espécie de “profanidade estética” cativante.

Para Madeline Rupard — que retrata essas regiões, o que mais ressoa com sua identidade como americana é o que ela chama de “os subúrbios e o sublime, o milagroso e o mundano”. É por isso que suas pinturas estão, muitas vezes, impregnadas de uma fantasia cotidiana — uma espécie de “fantasia de baixa escala” — presente na experiência de viver os Estados Unidos; há sempre um romantismo no ar, por vezes de forma comicamente desmistificada e, em outras, de maneira arrebatadora.

Nascida de uma inquietação durante o período de confinamento, Madeline atravessou os Estados Unidos sozinha diversas vezes, em busca de oportunidades e dos tons dourados dos pores do sol sobre estacionamentos. “Durante um período em Nova York, comprei um Subaru antigo para conseguir escapar do meu apartamento durante os lockdowns da pandemia.

O que começou como uma compra prática se tornou, aos poucos, um lar, um fiel escudeiro e um companheiro constante. Criei um apego à forma modesta do Subaru: o toca-fitas, os bancos de couro desgastados, os mostradores analógicos ultrapassados”, conta Madeline. O carro se tornou um símbolo de uma certa “teimosia analógica”, oferecendo um sopro de esperança em um período marcado tanto por alegrias quanto por tristezas.

Anos mais tarde, ao se despedir de sua fiel companheira sobre rodas, sentiu como se tivesse perdido um animal de estimação querido — uma experiência que a levou a explorar esses sentimentos, com humor e devoção, em uma exposição individual no Museu de Arte Contemporânea de Utah, intitulada “2002 Subaru Forester“. Vale muito a pena conhecer aqui um pouco mais do trabalho da pintora.