Por que se contentar com um estádio quando se pode construir uma cidade? Para sua série de shows em Madri, a icônica cantora colombiana Shakira ocupou o espaço Iberdrola Music, em Villaverde — uma área de 185.000 metros quadrados —, transformando no Macondo Park, um cenário cultural temporário projetado pelo Bjarke Ingels Group (BIG).

Concebido como uma alternativa inteligente às arenas de shows convencionais, o local combina um estádio para mais de 50.000 espectadores com pavilhões coloridos, mercados, lojas e espaços dedicados a gastronomia, arte, moda, cinema e equipamentos para crianças, ou seja, um mundo inteiro construído em torno dos shows, e não apenas atrás do palco.

Ao contrário de um estádio já existente, onde a atenção converge para uma única apresentação de artistas e bandas famosas, o ambiente criado especificamente para o evento permitiu aos arquitetos coreografar toda a jornada do público. “A arquitetura foi projetada não apenas para acomodar grandes multidões, mas também para guiar as pessoas.

E assim criar momentos de descoberta e oferecer locais para se reunir, celebrar e encontrar uma boa sombra ao longo do dia“, revela Stefani Fachini de Araujo, associada do BIG e líder de design do projeto. Shakira pode até ser a atração principal, mas a celebração começa deliberadamente muito antes de ela aparecer, e pode continuar muito depois.

Os visitantes entram através de uma sequência de arcos de boas-vindas “Es Latina“; cada um possui uma cor específica e está conectado a um caminho correspondente que atravessa o local. Esses trajetos conduzem a 12 pavilhões temporários e a áreas complementares para o público geral, VIP e crianças, sendo que oito das estruturas principais são dedicadas a pilares da cultura latino-americana.

“Cada caminho leva os visitantes a um pavilhão diferente, que oferece uma experiência única“, explica Fachini de Araujo. No centro, se ergue a Árvore Macondo, um marco de referência comum que confere à vasta área do evento um aspecto semelhante ao de uma praça pública. Mais de 500 árvores e ilhas de vegetação, inspiradas em paisagens mediterrâneas, espanholas e latino-americanas, reduzem a escala do espaço aberto e criam áreas de sombra.

“Ao longo do percurso, mais de 500 árvores trazem uma escala humana ao local, transformando uma vasta área de eventos em um parque“, acrescenta a líder de design. A cidade fictícia de Macondo — tomada emprestada de “Cem Anos de Solidão“, de Gabriel García Márquez —se torna menos uma reconstrução literal do que uma estrutura espacial para mesclar narrativa, cultura popular e celebração coletiva, tudo isso com uma pitada de logística de festival embutida. Exemplo ótimo e inovador para esse universo.


