O mundo se mostra barulhento e inquietante nesses nossos tempos; por isso, faz muito sentido o surgimento de jovens artistas como Joanna Blémont e suas “silent watercolours” (aquarelas silenciosas). O tom e o conteúdo de suas ilustrações convidam a desacelerar, respirar fundo e contemplar a tranquilidade dos espaços que ela evoca.

“Sempre me senti atraída por capturar espaços vazios“, diz Joanna. “Ao crescer em Charleroi, uma cidade industrial na Bélgica, desenvolvi um olhar atento para os edifícios silenciosos e esquecidos, agora tomados pelo mato. Meu pai trabalhava em um polo industrial cercado por vastos espaços livres e prédios desocupados com grandes estacionamentos. O isolamento imposto pelo confinamento intensificou esse interesse que já existia.“

Atualmente radicada em Edimburgo, Joanna cria obras — que ela descreve como “aquarelas silenciosas” — compostas frequentemente por várias pinturas que formam uma sequência. Mudanças ocorrem no espaço retratado, permitindo perceber melhor sua atmosfera, embora muito fique a cargo da interpretação de quem observa.

Como nos sentimos se a cor muda dentro do espaço? O que significa quando um detalhe é destacado? “Vejo o silêncio na obra como uma pausa antes de algo acontecer — algo oculto para o observador, mas que é sentido“, continua ela. “É por isso que evito retratar rostos e pessoas específicas, optando por figuras e sombras. Também evito definir os espaços de forma completa.

Acredito que a sequência me permite criar um ritmo que transmite uma sensação de expectativa silenciosa. Algo está prestes a se desenrolar, mas permanece desconhecido.” Imagens que provocam um sentimento de conforto, ao mesmo tempo que incentivam uma curiosidade pelo que há por vir em cada cena. Confira aqui tudo sobre a artista.

