Para a área de ilustrações editoriais, o “briefing” é o próprio artigo. O primeiro passo para a ilustradora georgiana Ana Miminoshvili é a pesquisa: reunir o máximo de informações possível e sintetizar em, basicamente, uma única frase. Essa frase dá origem às imagens memoráveis que ela cria para veículos como The New York Times, Los Angeles Times, Spotify, GQ e Die Zeit.

As imagens são sempre construídas no Photoshop com “um toque de Illustrator“, revela a artista. “Mas a parte mais importante, especialmente no trabalho editorial, é o esboço. Eu sempre esboço usando ferramentas analógicas; tenho cadernos diferentes para tipos de trabalho distintos“, ela complementa. “Nos editoriais, começo apenas anotando as palavras-chave; pode não parecer algo tão relevante, mas é extremamente útil para o meu processo.“

Com a lista de palavras-chave em mãos, Ana parte para o desenho, fazendo o traçado com canetas de ponta fina preta e, em seguida, trabalhando a imagem no Photoshop. Ilustrar resenhas de livros é sua atividade favorita: ela consegue pegar todo um universo literário e condensar de forma semelhante ao trabalho dos designers de capas de livros — contando uma história da maneira que só as imagens permitem.

O trabalho de Ana, ilustradora da Geórgia, país que fica entre a Rússia e a Turquia, combina diversos elementos de forma exuberante. De degradês granulados a brilhos digitais, o resultado parece uma mistura perfeita entre ferramentas analógicas e digitais, criando algo que se situa exatamente entre os dois mundos: futurista nas cores e clássico na abordagem.

O processo lembra a dinâmica em que artistas de traço enviavam seus trabalhos para coloristas, com a diferença de que Ana assume todas as etapas principais da criação. Suas obras, que abordam temas como mudanças climáticas, identidades “queer” e a morte, tocam em sentimentos profundos e os trazem à tona. Vale a pena conferir aqui tudo sobre a profissional.


