Considerado o “carrasco” do time do Brasil na eliminação da Copa do Mundo desde ano, Erling Haaland, o atacante norueguês grande e impetuoso, possui várias características tipicamente norueguesas. Às vezes, ele se exercita cortando lenha na floresta. Consome seis mil calorias por dia (e adora coração de boi), e após os treinos, o astro costuma beber leite cru.

É dono de uma empresa de investimentos com isenção fiscal em Luxemburgo chamada Pillage. Comprou uma edição da “Heimskringla“, uma saga nórdica antiga do século XIII, por cento e trinta mil dólares — e a doou para a biblioteca local porque, explicou, “nunca fui muito de ler“. Tem longos cabelos loiros, frequentemente comparados aos de um viking.

Ele traz a intensidade típica de um grupo de saqueadores para o esporte. Haaland marca gols com uma frequência maior do que quase qualquer outro jogador de futebol na história (em um jogo juvenil, marcou nove gols contra Honduras, e alguns jogadores hondurenhos choraram). Ele já disse: “Penso em futebol o tempo todo“. Seu despertador toca o tema da Liga dos Campeões.

Certa vez, ele postou uma foto sua em uma viagem de avião, olhando fixamente para frente, com a legenda: “Acabei de encarar um voo de 7 horas sem telefone celular, sem dormir, sem água, sem comida, só com o mapa na minha frente”. O jornal The Guardian o chamou de “um voraz yeti nórdico dos gols”.

O futebol internacional às vezes produz um essencialismo peculiar: os alemães só têm sucesso com organização implacável; os brasileiros são dotados e amaldiçoados com a extravagância; os ingleses se iludem pensando que ainda são relevantes internacionalmente. A Noruega nunca teve muito sucesso em Copas do Mundo — esta é apenas a quarta edição para a qual o país se classificou.

(Por toda uma geração, o melhor jogador da Noruega, Tom Lund, nunca jogou pela seleção nacional fora da Europa porque tinha medo de voar.) A equipe não se prende a uma identidade, então Haaland teve liberdade para criar uma. Ele joga futebol como os noruegueses sonham que os noruegueses joguem futebol. Vale a pena conferir AQUI a matéria completa na revista New Yorker. Enjoy.

