Na indústria da fotografia, existem pouquíssimos prêmios — se é que existe algum — que se comparem ao prestígio do Prêmio Hasselblad. O prêmio, concedido anualmente pela Fundação Hasselblad da Suécia, reconhece alguns dos fotógrafos mais inovadores do mundo desde 1983, incluindo Nan Goldin, Alfredo Jaar, Cindy Sherman, Dayanita Singh, Carrie Mae Weems e Wolfgang Tillmans, entre outros.

Agora, a organização sediada em Gotemburgo revelou sua mais nova laureada: Zanele Muholi. Nascida em 1972 em Umlazi, África do Sul, Muholi combinou com maestria narrativa visual e ativismo ao longo de sua carreira. No cerne de sua prática está um respeito fundamental por seus retratados, muitos dos quais pertencem à comunidade negra queer da África do Sul.

Ao retratar as vidas de pessoas negras lésbicas, gays, bissexuais, transgênero e intersexuais, Muholi confronta a violência e a discriminação contínuas contra a população LGBTQIA+ em seu país, ao mesmo tempo que promove visibilidade e dignidade. Essa firme defesa tem raízes na infância da fotógrafa, que cresceu durante o regime do apartheid na África do Sul.

Muholi usa o retrato para articular e celebrar a presença, a profundidade e a dignidade da comunidade negra LGBTQIA+ na África do Sul e no resto do mundo”, afirma a Fundação Hasselblad. “O ativismo e o trabalho comunitário são parte integrante de sua prática, que combina urgência política e domínio formal, tornando Muholi uma figura central na cultura visual queer global.” Conheça aqui mais sobre a artista.