A animadora Julia Fernandez pintou à mão 300 azulejos de cerâmica para criar um videoclipe hipnotizante em stop-motion. Levando a animação analógica a um novo patamar, o projeto de três meses da artista para o músico Emory é uma ode meditativa aos belos ritmos e imperfeições que surgem do trabalho manual. A artista, radicada no Brooklyn, sempre foi fascinada por técnicas de animação que celebram materiais físicos e a criação lenta e reflexiva.

Bem menos interessada em desenhos animados planos ou personagens estáticos, a artista dedicou todo o seu tempo estudando Artes de Mídia Interativa na faculdade para descobrir como “fazer as coisas se moverem e parecerem vivas“, integrando animação em todos os seus projetos. Foi somente após a formatura, no entanto, que ela se apaixonou pela argila. Ao descobrir uma oficina de cerâmica gratuita em um estúdio comunitário local, Julia começou a moldar um meio bastante inesperado em uma nova ferramenta para o movimento.

Eu não tinha interesse em torno de oleiro ou cerâmica utilitária”, revela Julia, “mas um dia, enquanto fazia uma xícara, pintei quadros de animação nela e a fotografei como um zootrópio. Ver um material que deveria ser estático e permanente começar a se mover foi como mágica, como se eu tivesse decifrado algum código na realidade para criar um movimento que, de outra forma, seria impossível.” Muito legal.