Ao contemplar as pinturas de Naomi Okubo, reserve um bom tempo para admirar. As obras intrincadas e sobrepostas são repletas de padrões, muitas vezes ocultando as figuras nelas retratadas. Ambientadas em espaços internos, externos e intermediários, as peças exploram o realismo sem, contudo, se esquivar de elementos que beiram o surreal.

Em um campo gramado, por exemplo, há um portal – um espelho – para outro lugar. Bonecas gigantes recebem as mulheres ao entrarem em uma estufa, oferecendo uma narrativa envolvente enquanto admiramos os elementos formais da obra de Okubo. O mundo criado por Okubo é frequentemente um mundo de confinamento. Suas figuras, envoltas em vestes ricamente adornadas, parecem estar isoladas dentro dos espaços envidraçados e arejados.

Plantas e tecidos exuberantes as cercam, mas há uma sensação de inquietação em tudo isso. Que, apesar da beleza, elas não podem partir; são espécimes – sem rosto, para serem admiradas, mas nada além disso. A ansiedade evocada pelas figuras é intencional e representa a evolução da linguagem visual de Okubo. “Em seus primeiros trabalhos, Okubo retratava mulheres sem rosto como um símbolo da pressão para se conformar na sociedade japonesa“, explica um comunicado da artista.

“Com o tempo, essas figuras sem rosto passaram a funcionar de forma mais ampla como um espelho, permitindo que os espectadores se projetassem e refletindo tanto experiências individuais quanto dinâmicas sociais.” Não é difícil mergulhar em seu mundo e passar horas descobrindo novos detalhes em cada imagem. Vale muito a pena conhecer aqui um pouco mais sobre a artista e seu trabalho.

