Ao longo do final do século XIX e início do século XX, um homem alto, imponente e totalmente incomum percorreu as encostas montanhosas do Vale do Blênio, no sudeste da Suíça. Durante suas caminhadas, mesmo pelos cantos mais remotos do vale, ele cantava para si mesmo enquanto vendia sementes de hortaliças e flores. Além dos pacotes de sementes, ele também carregava algo a mais: uma câmera de grande formato.

Esse homem estranho era Roberto Donetta, nascido em uma família pobre em Biasca em 1865. Durante décadas, ele fotografou inúmeros moradores do Vale do Blênio, capturando como a região isolada gradualmente se adaptou à modernidade. Apesar de sua personalidade idiossincrática, Donetta ainda era bastante cativante, conseguindo capturar milhares de imagens de crianças, famílias, casais em casamento e profissionais ao longo de sua vida. Às vezes bem-humoradas e descontraídas, outras vezes sérias e comoventes, suas fotografias, sem dúvida, revelam o cotidiano do vale com sensibilidade e clareza.

Uma imagem, por exemplo, retrata um grupo de mulheres, todas trabalhadoras da fábrica de chocolate local. As mulheres estão estrategicamente posicionadas, algumas descansando em cadeiras e outras em pé, próximas umas das outras, como se estivessem em uma conversa secreta. Mesmo assim, elas parecem à vontade, encarando a lente de Donetta com olhares solenes, porém seguros de si. Elas são dignas e serenas, mesmo enfrentando as dificuldades do trabalho na fábrica. conheça aqui mais sobre essa descoberta.
















