Fabio Seidl

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Fabio Seidl é redator da Ogilvy. Carioca, foi diretor de criação da Fischer e da Africa, também trabalhou na WMcCann e na McCann Portugal. Também toca baixo, faz curtas-metragens, anda de skate e sofre pelo Vasco da Gama.


ENTREVISTA.


PortfolioLovers.

No fundo, no fundo, o que fez você escolher essa profissão?


Fabio Seidl.

Eu sempre quis isso fazer da vida, desde cedo. Quando eu era moleque, meus pais me colocavam para fazer publicidade como ator mirim. E eu adorava aquilo tudo, para mim já era fugir de uma rotina, era um playground. Ia pro set, via aquele monte de equipamento, conhecia gente famosa. A vida de moleque banguela que ria para a câmera acabou, comecei a prestar atenção nos comerciais que eu gostava, como se fazia, quem fazia. Com 15 anos, antes mesmo de entrar para a faculdade, já estava correndo atrás de estágio. 


PortfolioLovers.

Muitos jovens tem dúvidas sobre sua escolha em ser um criativo. Que fatores ou “sinais” acha importante para ajudar nessa resposta?

 

Fabio Seidl.

Muita gente confunde habilidade técnica e vontade, com a habilidade criativa. Não é a mesma coisa e é fácil se enganar. Você pode ser craque em manipulação de imagem, ilustração, 3D, mas isso não quer dizer que nasceu para ser diretor de arte. Você pode escrever bem seus contos, seu blog, mas isso é só o começo para ser um redator, é preciso outras coisas. 

Talvez cada um acabe recebendo seu “sinal”, como você falou, de um jeito. Mas também acho importante se informar bem como funciona a carreira: quanto dura a carreira, a rotatividade do mercado, o dia a dia. Mas a melhor metáfora que já vi para a profissão continua sendo do meu amigo Guilherme Facci, diretor de criação aqui da Ogilvy: estamos num garimpo, e mesmo que a gente ache o ouro, continuaremos lutando na lama.

É isso que você quer? Então seja bem-vindo.


PortfolioLovers.

Anúncios, roteiros, ações, videocases, etc. Afinal, o que é legal ou não ter na pasta?

 

Fabio Seidl. 

Tanto faz o que é, desde que seja 3 coisas: original, relevante para a marca, e que seja bem executado, necessariamente nessa ordem. Não basta ser só bem executado, por exemplo. Se você tem a melhor ideia para roteiro ou para promoção de todos os tempos, mas não executou, ela ainda é só uma ideia que pode ficar boa. Por isso hoje, a maioria das pastas se concentram em anúncios e boards de cases. Mas o que a pasta não pode ter, com certeza, é falta de objetividade e de ambição.

A maioria dos caras que olham pastas fazem isso pela internet e não tem muito tempo. Se você tem vários boards cheios de textos enormes, está colaborando para que a pessoa não chegue até o final, onde pode estar aquela puta ideia. E na parte da ambição, sua pasta tem que mostrar o que você pode ser e não só o que você já fez. 


PortfolioLovers.

Se pudesse escolher apenas 3 fontes de referências, quais seriam?


Fabio Seidl.

1. O que eu já vivi até hoje. 

2. A vida das pessoas que já conheci. 

3. A vida de pessoas e personagens que eu já li ou assisti.

 

PortfolioLovers.

Imagine que um dia, um de seus filhos escolha ser um criativo. Que conselhos daria?


Fabio Seidl.

Ser criativo não é uma escolha, acho. É uma maneira de se relacionar com o mundo. Se ele desde pequeno for criativo, desenhando, tocando, mexendo com argila, escrevendo, eu vou incentivar. Da mesma maneira que se ele tiver muito jeito e gosto para um esporte, vou incentivar o lado atleta dele até onde ele quiser ir. 

Mas eu daria o mesmo conselho que meu pai me deu: faça o que você quiser, desde que faça muito bem feito e nunca se esconda. O mercado não costuma se dar bem com os preguiçosos.

 


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